As memórias vão e vêm como o pêndulo do balanço esquecido em algum
parquinho visitado no final de uma tarde na infância. Conforme aumenta a
excitação que provocam, maior o esforço para empurrá-las para o alto,
voltando mais claras à consciência antes de descer novamente à sombra do
subconsciente.
A fotografia tira para lavar o véu que encobre as lembranças e, enquanto ele
seca, aproveitamos para investigar o que havia por baixo. As imagens
entram pelos olhos e se espalham pela pele com o vento que soprava em
um cochilo na sombra depois do almoço de domingo, tocam o ouvido com a
música da banda preferida da adolescência e impregna o nariz com o
perfume da flor que renasce muitos anos após secar no jardim da antiga
casa dos avós.
Cada foto é uma carta de Natal retornada ao remetente fazendo do
presente aquilo que já desejamos dissolvido na imaginação. Essa dissolução
torna a memória uma mistura de eventos sem uma sequência fixa ou
uniforme que é reconstruída de acordo com cada pessoa e momento. Nesta
exposição 20 fotógrafas e fotógrafos oferecem fragmentos de suas vidas e
convidam o expectador a introduzir outros que carregue na memória,
criando relações entre eles a partir dos sentimentos que cada imagem lhe
trouxer de volta.
Curadoria de Allan S. Ribeiro
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