HENRI CARTIER- BRESSON – SÓ AMOR

Olhar é diferente de ver. Quem fotografa profissionalmente sabe que existem duas formas de visão. Sabe também que muitas pessoas olham, mas poucas pessoas veem realmente. Mas seria possível ensinar alguém a ver?

Em HENRI CARTIER- BRESSON – SÓ  AMOR temos um ponto de vista interessante sobre o tema. A questão está presente no documentário dirigido pelo cineasta Raphael O’Byrne de diversas formas, inclusive ao mostrar a empolgação de jovens tendo um contato inicial com a fotografia. É interessante perceber como mais do que um filme sobre o fotógrafo, é um filme sobre o processo criativo e a relação que se estabelece entre artistas e obras. 

A relação de CARTIER- BRESSON com a fotografia é sempre mostrada como algo natural. Fica claro que ele estava sempre alerta, preparado para o que a sorte lhe reservasse. Que suas fotos eram feitas com a facilidade de quem está simplesmente vivendo e observando o que está ao seu redor. Uma relação tão orgânica, que o fotógrafo chegou a ficar três anos fazendo fotos sem olhar o resultado. A estrada era mais significativa para ele do que o destino. 

Sensibilidade, intuição, naturalidade… Habilidade é resultado de muito esforço e conhecimentos adquiridos, mas não teria o mesmo brilho sem características assim. Em uma fotografia feita por CARTIER- BRESSON de um enterro, a imagem chega a parecer uma pintura, porque a presença do fotógrafo não foi notada pelos que choravam a perda de alguém querido. Uma invisibilidade alcançada somente por quem tem empatia com a cena vivenciada e sente a câmera como uma parte de si mesmo.

Mas voltando ao questionamento inicial: seria possível ensinar alguém a ver? Em determinado momento do documentário, o fotógrafo menciona que adorava música, mas as notas ruins não o incomodavam. Ou seja, faltava algo. Este “algo” que o distanciou da música, certamente o aproximou da fotografia. Para CARTIER- BRESSON amar é o que importa. Aprender a ver faz tanto sentido quanto aprender a amar. É possível ensinar alguém a amar? Talvez sim, mas, convenhamos, é um contrassenso ensinar o que deveria acontecer de forma natural.

Quem quiser assistir ao documentário, ele está disponível com legendas no youtube. Acesse clicando aqui!

Postado em: 27/03/2020



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